Escola: E agora?

“Há escolas que são gaiolas." (Rubem Alves) 




We don't need no education                                        Nós não precisamos de nenhuma educação
We don't need no thought control                               Não precisamos de controle mental
No dark sarcasm in the classroom                              Chega de humor negro na sala de aula
Teachers leave them kids alone                                 Professores, deixem as crianças em paz
Hey! Teacher! Leave them kids alone!                      Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
All in all, you're just another brick in the wall          Todos são somente tijolos na parede

All in all, it's just another brick in the wall              Tudo era apenas um tijolo no muro
(Pink Floyd - Another Brick In The Wall)


Há alguns dias atrás eu participei de uma destas provas de avaliação de desempenho em uma escola de Ensino Médio e Fundamental. Confesso que foi uma experiência estranha, pois eu não tinha em minhas lembranças o tamanho do caos que esta instituição alcançou. A primeira coisa que me incomodou foram as grades, cadeados e salas de aulas com portas de ferro sem maçanetas; as escadas que separavam os andares tinham grades fechadas por cadeados criando um ambiente totalmente reclusivo. 

Inevitavelmente a música Another brick in the wall da banda Pink Floyd citada acima me veio a mente com suas batidas marcantes e uma sensação de angústia e tristeza. A pergunta que soava na minha cabeça era a seguinte: "Se nossas crianças de hoje serão o futuro de amanhã como podemos entregá-las a este modelo instituicional falido e fadado ao fracasso?" Ao passar entre um dos corredores ouvi as palavras desesperadas de um professor que buscava conscientizar seus alunos da importância dos estudos. E ele disse mais ou menos assim: " quem não tem estudo e entrega seu destino na mão de uma minoria não terá dignidade, não fará valer os seus direitos, muito menos respeito... e rapidamente será massa de manobra ou  reserva de mão-de-obra desqualificada". A sentença caiu feito um piano sobre mim, ampliando a realidade e mostrando um ponto de vista que embora pareça macabro é o amanhã que será destinado a maioria da população se continuarmos assim. Em outro corredor a coordenadora tentava controlar os alunos aos berros com uma postura rídiga e opressora, fazendo inveja até ao capitão Nascimento do filme BOPE. Ficou claro diante daquela situação que ela estava fazendo o melhor que podia, entretanto sem levar em consideração que este "militarismo" todo com um toque de perversidade é apenas uma demonstração da falsa sensação de controle temporário frente a grandes conflitos, principalmente com adolescentes.

Pinóquio às avessasConversando com uma colega sobre esta vivência na escola ela me indicou um livro muito bacana "Pinóquio as Avessas: uma estória sobre crianças e escolas para os pais e professores" de Rubem Alves (pedagogo, filosofo, escritor e psicanalista), uma das figuras mais respeitadas no Brasil.  O autor recriou a  história de Pinóquio, o famoso boneco de madeira que ganha vida, mas nesta versão ele aponta para o perigo que correm as crianças ingressantes em escolas que não levam em consideração as habilidades e o potencial criativo de seus alunos, tentando a todo custo enquadrá-las num sistema educacional sufocante, anacrônico e conservador. Justamente por isso o conto é apresentado "às avessas" para provocar uma reflexão que suscite mudanças significativas em favor de uma educação edificante, que preserve no ser humano a capacidade de sonhar, de criar, de transformar, de se realizar.

Dentro deste contexto é impossível não lembrar do famoso livro "Vigiar e Punir" de Michel Foucault onde ele descreve a raiz do processo de disciplinarização contida em diferentes instituições (escola, hospital, quartéis). De acordo com a colunista da Revista Cult Maria Rita de Assis Cesar "O nascimento da chamada escola disciplinar se deu em um período de intensas modificações nas estruturas de poder, as quais deram origem ao aparato social e político que Foucault denominou “sociedade disciplinar”. Dentre todas as instituições disciplinares, a escola possui a maior abrangência, pois é nela que os indivíduos passam a maior parte da sua formação, até que estejam prontos para a vida adulta. Por sua vez, a disciplina no interior da instituição educacional não se restringe ao corpo, pois ali também ocorre a submissão dos conhecimentos à disciplina institucional, isto é, a escolarização dos saberes.  A passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle permite entender as mudanças pelas quais a instituição escolar vem passando desde a última década a fim de tornar-se a instância de produção do novo sujeito moral, o sujeito flexível, tolerante e supostamente autônomo, requerido pelas novas modulações do controle que gravitam entre o Estado e o mercado neoliberal. Nesse processo, tornaram-se decisivas novas tecnologias informacionais, nutricionais, educativas e físicas, as quais se destinam a ampliar as capacidades corporais e cognitivas dos indivíduos, que devem se tornar empreendedores de si mesmos".

Para terminar deixo uma passagem do livro de Rubem Alves para refletirmos se vamos continuar a ter escolas que "são gaiolas ou escolas que são asas":


" Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. 
Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, 
o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. 
Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. 
O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. 
Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. 
O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."


Saiba mais:

Ebook do livro Pinóquio as Avessas: uma estória sobre crianças e escolas para os pais e professores  clique aqui

Biografia de Rubem Alves clique aqui

Michel Foucault, um critico da instituição escolar
http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/critico-instituicao-escolar-423110.shtml

Pensar a educação depois de Foucault
http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/pensar-a-educacao-depois-de-foucault/

Letra completa da música: Another Brick in the wall
http://www.vagalume.com.br/pink-floyd/another-brick-in-the-wall-traducao.html

Veja também:

Ao preencher um formulário hoje me vi diante de uma pergunta que me fez parar para pensar:


QUEM EU SOU?




Que pergunta complexa para um mero formulário. Mais fácil responder como estou... pois só sei que estou em um momento de transformação e descobertas... descobertas sobre mim... sobre o que realmente me importa... o que devo me apegar com afinco... nas minhas reais habilidades e defeitos...

ah sim...eles estão aqui tbm rs Aprender que nos enganamos com as pessoas... assim como nos enganamos com nossos desejos... ID... EGO.. SUPEREGO... é tudo uma questão de equilíbrio... já se sabe... mas tem hora que sou Id outrora Ego... ultimamente ando feito criança mimada (olha o id ai de novo)... eu querooo eu querooo eu querooo e a realidade me diz... depois... depois... depois 

Todas as cartas de amor são ridículas

Petrus escreve a Rosa:
 "... Ouvindo um jazz bem piano bar, remoendo figuras e acontecimentos do passado... tentando constatar num cigarro algum refúgio... esperando que a tarde morna, de seu frágil timido azul, sugira alguma ação. E num talvez, no advir da noite, suscite-se alguma emoção. Que horas apó horas cintile esse tédio... enfim... nada substitui estar com você... minha rosa..." 

Rosa responde a Petrus: 
“...Meu pensamento em você é como um andarilho que mesmo percorrendo lugares diferentes vez em outra se depara com paisagens e rostos familiares que o remetem ao seu verdadeiro lugar...”

Anos depois diante de uma das surpresas da vida... Rosa escreve:
"...Meu amor, fiquei tão preocupada contigo. Eu te amo tanto... tenho muito medo de te perder"

Petrus responde de um leito do hospital:
"Fique tranquila meu amor, estou em plena paz e muito feliz de ter você ao meu lado... então tenha um dia tranquilo e sem nenhuma angústia"



Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios

Colombo procurou as Índias mas a Terra avistou em você

O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
(All Star- Nando Reis)

Há algo que paralisa mais do que o medo?


medo
        O último mês do ano é sempre um momento própricio para fazermos um bom balanço geral de tudo que passou, o que conseguimos tirar do papel, o que faltou um pouco mais de energia para concretizarmos e aquilo que ficou somente na lista dos desejos feita lá em dezembro de 2012. Eu estava renovando minha lista, comecei a refletir sobre os itens e fiquei feliz em perceber os pequenos, mas, importantíssimos avanços conquistados, pois muitas vezes queremos grandes coisas e esquecemos que paciência, confiança e intuição formam a base para materializarmos nossos sonhos. E aqueles quereres que não estão na lista? Aquilo que você não se achou capaz, aquela coisa que o medo e a insegurança não permitiram que você ao menos exteriorizasse sua vontade? Pode parecer besteira, mas, somos permeados por mais incertezas do que clarezas.

"...Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Tenho medo de parar e medo de avançar (...)
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo..."  
(Miedo - Lenine)

      Há algo que paralisa mais do que o medo? Como diz Lenine na música acima em certas circunstâncias o medo deixa de ser uma resposta instintiva natural que visa a proteção de um perigo real e torna-se uma amarra, aprisionando toda a subjetividade. Não há otimismo ou criatividade que consiga ser expressada genuinamente quando estamos acorrentados. Além disso, há duas "manifestações" do medo bem conhecidas no nosso dia a dia: A angustia e a ansiedade. 

         Segundo Dalgalarrondo (2008), a ansiedade é um estado de desconforto, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável com manifestações somáticas e fisiológicas (taquicardia, sudorese, tontura, tremores). Já a angústia geralmente refere-se a uma vivência relacionada ao passado com grande conotação corporal (sensação de aperto no peito e na garganta por exemplo). Isso demonstra como somos diretamente mobilizados psicologicamente e até fisicamente por fatores internos/externos, situações que surgem diariamente e que cabe apenas a nós transcendermos.   Outro dia estava passando na tv o filme Rocky Balboa e em uma cena o filho do Rocky tenta convencê-lo a não lutar, dizendo que o envergonharia e que o pai era o culpado pelo insucesso dele. Depois de assistir este  diálogo eu fiquei imaginando o quanto nos afastamos de nós mesmos por medo e muitas vezes criamos desculpas pela falta de realização ou frustração. 
      Neste novo ano que se iniciará desejo a todos vocês (e me incluo nisto) coragem para os obstáculos reais e superação para as barreiras criadas por nós mesmos. 

Steve Jobs
Leia mais:

A angústia e a ansiedade na psicopatologia fundamental autor: Alfredo Simonetti ( dissertação de mestrado)

Referência Bibliográfica:

Dalgalorrondo, P. (2008) Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais (p. 166)
Veja Também:

O céu é o limite

Oportunidade


Dia da Consciência Negra - 20 de Novembro

Zumbi é a maior figura negra da História do Brasil, por ter se tornado símbolo da luta e resistência do afro-brasileiro à escravidão, a data da sua morte hoje remonta a toda trajetória conquistada pelos negros neste pais de dimensões continentais. O preconceito e o racismo ainda andam de mãos dadas em todos  os cantos, entretanto o negro de hoje deve se orgulhar de todo suor e sangue derramado por cada conquista até aqui. Pois ser negro não é apenas uma questão da cor da pele, dos traços ou do cabelo, trata-se de um estado que se configura por meio da cultura de um povo, é algo que vem da alma. Toda vez que ouço falar de Zumbi me emociono e lembro de uma música de um LP do Ilê Aiyê que meu avô deu para meu pai. A música diz assim (para ouvir clique aqui):

Separatismo Não!

Zumbi ôh ôh, ôh ôh 
Encarna no Ilê
E luta para esse povo ver
Lutar
Se elege Zumbi
O tradutor de obá áh áh

Ilê áh áh áh áh
Ilê áháh áh áh
Cresce, o seu poder é muito
Envolva essa força
Unifique essa coragem
Separatismo não
O egocêntrico não tece a união
Não espalha a nobreza
Aparta os corações
oh ih, oh ih, oh ih lê lê lê lê lê, oh ih

Uá todila ji mujibé
Uá todila ji mujibé

Uo só ua-di-muka ah ah
Uo só ua-di-muka ah ah

Udia-nigoé Lumox'w
Udia-nigoé Lumox'w

Ganga Zumbi e quacanga
Ganga Zumbi e quacanga
Ganga Zumbi e quacanga
Ganga Zumbi e ecor

Link: http://www.vagalume.com.br/ile-aiye/separatismo-nao.html#ixzz2lE1Kesgj

Muito poderia escrever sobre esse assunto que me emociona tanto, mas vou apenas terminar com um trecho de um texto do Gilberto Gil falando sobre a música de sua própria autoria chamada "Refazenda", com uma foto muito especial para mim onde fui modelo e minha querida amiga Silvia fotografa entitulou de "Origens"; também há a cena de um ensaio fotográfico que fiz com meu irmão.
Somos os frutos da grande refazenda e nos orgulhamos muito disso.


Veja Também:

Assédio Moral no Trabalho

Atualmente tem sido observado um alto indice de afastamentos médicos ou absenteísmo por adoecimento devido aos conflitos vivenciados no ambiente de trabalho. A maioria desconhece que grande parte das situações prejudiciais a qualidade de vida no ambiente laboral são derivadas do Assédio Moral. De acordo com Márcia Novaes Guedes, juíza de ações trabalhistas e autora do livro Terror Psicológico no Trabalho: o termo "Mobbing, assédio moral ou terror psicológico no trabalho são sinônimos destinados a definir a violência pessoal, moral e psicológica, vertical, horizontal ou ascendente no ambiente de trabalho. O termo mobbing foi empregado pela primeira vez pelo etiologista Heinz Lorenz, ao definir o comportamento de certos animais que, circundando ameaçadoramente outro membro do grupo, provocam sua fuga por medo de um ataque..."
No Assédio Moral o agente busca a degradação das condições pessoais no trabalho, acarretando efeitos negativos a integridade física ou psiquica do funcionário. Este assunto tem ganhado tal relevância que a Organização Mundial de Saúde apresentou em 2002 um quadro contendo as principais diferenças entre conflitos saudáveis e situações de assédio, veja abaixo:
OMS assédio moral
Em pesquisas recentes também foram identificados os principais fatores que colaboram para este triste cenário. São eles: Gerenciamento autoritário, grande carga de trabalho com número insuficiente de colaboradores e muitas linhas de comando. Também é possível observar ataques ao funcionário sob a seguinte forma: 
  • Humilhação ou Rebaixamento;
  • Instigação de colegas contra a vítima;
  • Provocação ou Ridicularização;
  • Abuso verbal;
  • Indução ao pedido de demissão;
  • Designição de tarefas sem sentido ou perigosas;
  • Negação ou omissão a informações essenciais;
  • Monitoramento excessivo;
  • Sobrecarga de trabalho com prazos impossíveis.
Este video acima é o trecho da série Familia Dinossauros, onde o Dino (pai de família e arrancador de árvores) tenta pedir aumento ao seu chefe, Sr. Richfield. A cena traz um superior autoritário, com perfil assediador ao extremo. O programa é cômico, mas, já dá pra ter uma ideia de uma situação onde há alguns dos pontos citados a pouco. Este tipo de Assédio pode gerar enúmeros quadros com complicações comportamentais, físiológicas e psicossomáticas conforme pode ser visto abaixo (Organização Mundial de Saúde, 2002):
OMS assédio moral

Obra de Edvard Munch
Quadro "O grito"
Além disso, não podemos nos esquecer que as pessoas que convivem com a vitima também são afetadas, pois geralmente o assédio causa tamanho sofrimento que traz impactos (diretos ou indiretos) na vida social, como por exemplo: 
  • Auto exclusão da vida social;
  • Queixas frequentes de desconforto físico e psicologico;
  • Descumprimento das obrigações sociais;
  • Distanciamento das relações familiares;
  • Dificuldade para se qualificar para outros trabalhos;
  • Intolerância frente a problemas familiares;
  • Problemas matrimoniais; 
  • Crises ansiosas;
  • Explosão de raiva ou violência.
De acordo com a Organização Assédio Moral no Trabalho a pessoa assediada deve sair de uma condição submissa e desenvolver atitudes em sua defesa:
  • Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
  • Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
  • Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
  • Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
  • Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
  • Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
  • Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
  • Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.
Maiores informações e curiosidades sobre Assédio Moral no Ambiente de Trabalho:

Site sobre Assedio Moral com informações e cartilhas sobre o tema:
http://www.assediomoral.org/spip.php?rubrique68

Matéria publicada no portal do servidor público - SENADO:
http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal101/comportamento_assedio_moral.aspx

Cartilha do Ministério da Saúde:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Cartilhamoral.pdf