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Violência e Caos: The Joker

Joker e Batman
Why so serious?

Todos os dias somos bombardiados por notícias sobre todo tipo de violência por todos os meios de comunicação e embora eu não assista mídias sensacionalistas, as vezes fico extremamente chocada com algumas delas. Geralmente o incomodo vem, fica por uns dias depois passa até ver uma próxima manchete. Uma vez meu pai me viu imensamente triste e lembrou uma passagem de São Francisco de Assis que diz " Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado, resignação para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra". Na época eu era mais nova e não aceitei muito o conselho, pois soou como conformismo de fonte religiosa. Alguns anos se passaram e hoje posso apreciar melhor estas palavras com um pequeno desconforto em alguns momentos.

Olhe nos meus olhos sou ser humano
De acordo com  o dicionário Aurélio o termo violência significa: Qualidade ou caráter de violento. / Ação violenta: cometer violências. / Ato ou efeito de violentar. / Opressão, tirania: regime de violência. / Direito Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém. Quando cito este termo não estou me referindo somente aos homicídios, latrocínios diarios, mas, a algo mais amplo que gera em larga escala uma série de situações de opressão, constrangimentos e tirania. Pois não podemos nos esquecer das mais diversas situações de violência que convivemos no nosso cotidiano: ter um péssimo sistema de transporte público onde milhares de pessoas todo os dias se acotovelam e ficam espremidas no metrô da nossa cidade, ter que sair apressadamente depois da aula porque no ponto de ônibus tem assaltos frequentes, não poder contar com um sistema de saúde de qualidade, ver o aumento desenfreado de moradores de rua, mensalões, sequestros, jovens ostentando o luxo e a vida criminosa,  professores sendo ameaçados ou agredidos por alunos entre outros.

Refleti muito sobre isso e o personagem "Coringa" do filme "O cavaleiro das Trevas" interpretado brilhantemente por Health Ledger surgiu como a personificação perfeita da violência e do caos. Não quero aqui analisar o personagem, mas me utilizar de todos os sentimentos mobilizados diante das barbaries realizadas pelo criminoso, pois é essa sensação de horror que convivemos diariamente. Não podemos nos esquecer que tanto no filme quanto na vida real a violência é o resultado de um ciclo caótico mantido por um Estado enfraquecido,  para não citá-lo como ausente. 
O personagem Coringa retrata a crueldade, perversidade, psicopatia sempre com um sorriso sádico e aterrorizador na face, em resumo o lado mais doentio do ser humano. Durante o filme ele traz a seguinte fala:  “A loucura é a saída de emergência”. As vezes chego a pensar que somos comprimidos, compelidos o tempo todo a este estado de emergência e buscando manter o mínimo de saúde mental necessário eu retorno para a sábia frase de São Francisco de Assis, pois, os tempos são outros mas a humanidade ainda tem muito o que aprender.
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"Sem saber amar não adianta amar profundamente."
William Shakespeare

Filme Amor?Na prática clínica ouve-se vivências diversificadas e é muito comum relatos que apresentam a linha tênue deste verbo infinitamente complicado de se conjugar. Ao consultar o dicionário Aurélio fiquei surpresa com a definição da palavra paixão: s.f. Movimento violento, impetuoso, do ser para o que ele deseja. / Atração muito viva que se sente por alguma coisa. / Objeto dessa afeição. / Predisposição para ou contra. / Arrebatamento, cólera. / Amor, afeição muito forte. Interessante observar que em algumas situações o amor e o ódio se mesclam ou intensamente ou eventualmente, mas, geralmente caminham juntos. 

A maioria daqueles que já tiveram um relacionamento amoroso sabem que a vida real não é como um "comercial de margarina", a convivência apresenta uma série de diferenças (pensamentos, interesse, criação, metas pessoais entre outros) que em alguns momentos geram conflitos. Estes podem viabilizar um movimento construtivo se for dentro de um relacionamento saudável ou destrutivo havendo a presença de violência (física ou moral). 
De acordo com Winnicott  "Amor e ódio constituem os dois principais elementos a partir dos quais se constroem as relações humanas. Mas amor e ódio envolvem agressividade. Por outro lado, a agressão pode ser um sintoma de medo. [...] De todas as tendências humanas, a agressividade, em especial, é escondida, disfarçada, desviada, atribuída a agentes externos, e quando se manifesta é sempre uma tarefa difícil de identificar suas origens” (2005, p. 93).


O medo, a frustração, o ciúmes e a carência  quando excessivos são pontos que geralmente estão ligados as relações patológicas e o filme brasileiro "AMOR?" (lançado em 2011) traz oito depoimentos representados com imensa vivacidade por atores (Julia Lemmertz,  Lilia Cabral, Mariana Lima, Fabiula Nascimento, Silvia Lourenço, Leticia Colin, Eduardo Moscovis, Claudio Jaborandy e Angelo Antonio) que filmaram as histórias colhidas numa pesquisa sobre relacionamentos patológicos.   

Em entrevista ao Jornal O Globo o diretor João Jardim relatou: "O filme mostra que não existe exatamente um vilão. Existe um processo que leva as pessoas à violência. Certas relações tiram da gente o que a gente tem de pior. Ás vezes é a combinação de duas pessoas que, de repente, não aconteceria com outros parceiros. Há também casos que as pessoas se viciam num tipo de relação que envolve opressão. E tudo isso vale tanto para mulheres quanto para  homens". O filme é intenso, as interpretações são perfeitas e te deixa mexido do começo ao fim com os avessos das relações (em diferentes doses) que existem ao nosso redor. 


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