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Todas as cartas de amor são ridículas

Petrus escreve a Rosa:
 "... Ouvindo um jazz bem piano bar, remoendo figuras e acontecimentos do passado... tentando constatar num cigarro algum refúgio... esperando que a tarde morna, de seu frágil timido azul, sugira alguma ação. E num talvez, no advir da noite, suscite-se alguma emoção. Que horas apó horas cintile esse tédio... enfim... nada substitui estar com você... minha rosa..." 

Rosa responde a Petrus: 
“...Meu pensamento em você é como um andarilho que mesmo percorrendo lugares diferentes vez em outra se depara com paisagens e rostos familiares que o remetem ao seu verdadeiro lugar...”

Anos depois diante de uma das surpresas da vida... Rosa escreve:
"...Meu amor, fiquei tão preocupada contigo. Eu te amo tanto... tenho muito medo de te perder"

Petrus responde de um leito do hospital:
"Fique tranquila meu amor, estou em plena paz e muito feliz de ter você ao meu lado... então tenha um dia tranquilo e sem nenhuma angústia"



Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios

Colombo procurou as Índias mas a Terra avistou em você

O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
(All Star- Nando Reis)

Até aonde o amor pode ir?


"Sem saber amar não adianta amar profundamente."
William Shakespeare

Filme Amor?Na prática clínica ouve-se vivências diversificadas e é muito comum relatos que apresentam a linha tênue deste verbo infinitamente complicado de se conjugar. Ao consultar o dicionário Aurélio fiquei surpresa com a definição da palavra paixão: s.f. Movimento violento, impetuoso, do ser para o que ele deseja. / Atração muito viva que se sente por alguma coisa. / Objeto dessa afeição. / Predisposição para ou contra. / Arrebatamento, cólera. / Amor, afeição muito forte. Interessante observar que em algumas situações o amor e o ódio se mesclam ou intensamente ou eventualmente, mas, geralmente caminham juntos. 

A maioria daqueles que já tiveram um relacionamento amoroso sabem que a vida real não é como um "comercial de margarina", a convivência apresenta uma série de diferenças (pensamentos, interesse, criação, metas pessoais entre outros) que em alguns momentos geram conflitos. Estes podem viabilizar um movimento construtivo se for dentro de um relacionamento saudável ou destrutivo havendo a presença de violência (física ou moral). 
De acordo com Winnicott  "Amor e ódio constituem os dois principais elementos a partir dos quais se constroem as relações humanas. Mas amor e ódio envolvem agressividade. Por outro lado, a agressão pode ser um sintoma de medo. [...] De todas as tendências humanas, a agressividade, em especial, é escondida, disfarçada, desviada, atribuída a agentes externos, e quando se manifesta é sempre uma tarefa difícil de identificar suas origens” (2005, p. 93).


O medo, a frustração, o ciúmes e a carência  quando excessivos são pontos que geralmente estão ligados as relações patológicas e o filme brasileiro "AMOR?" (lançado em 2011) traz oito depoimentos representados com imensa vivacidade por atores (Julia Lemmertz,  Lilia Cabral, Mariana Lima, Fabiula Nascimento, Silvia Lourenço, Leticia Colin, Eduardo Moscovis, Claudio Jaborandy e Angelo Antonio) que filmaram as histórias colhidas numa pesquisa sobre relacionamentos patológicos.   

Em entrevista ao Jornal O Globo o diretor João Jardim relatou: "O filme mostra que não existe exatamente um vilão. Existe um processo que leva as pessoas à violência. Certas relações tiram da gente o que a gente tem de pior. Ás vezes é a combinação de duas pessoas que, de repente, não aconteceria com outros parceiros. Há também casos que as pessoas se viciam num tipo de relação que envolve opressão. E tudo isso vale tanto para mulheres quanto para  homens". O filme é intenso, as interpretações são perfeitas e te deixa mexido do começo ao fim com os avessos das relações (em diferentes doses) que existem ao nosso redor. 


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