Petrus escreve a Rosa: "... Ouvindo um jazz bem piano bar, remoendo figuras e acontecimentos do passado... tentando constatar num cigarro algum refúgio... esperando que a tarde morna, de seu frágil timido azul, sugira alguma ação. E num talvez, no advir da noite, suscite-se alguma emoção. Que horas apó horas cintile esse tédio... enfim... nada substitui estar com você... minha rosa..." Rosa responde a Petrus: “...Meu pensamento em você é como um andarilho que mesmo percorrendo lugares diferentes vez em outra se depara com paisagens e rostos familiares que o remetem ao seu verdadeiro lugar...”
Anos depois diante de uma das surpresas da vida... Rosa escreve: "...Meu amor, fiquei tão preocupada contigo. Eu te amo tanto... tenho muito medo de te perder" Petrus responde de um leito do hospital: "Fique tranquila meu amor, estou em plena paz e muito feliz de ter você ao meu lado... então tenha um dia tranquilo e sem nenhuma angústia"
Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as Índias mas a Terra avistou em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
O último mês do ano é sempre um momento própricio para fazermos um bom balanço geral de tudo que passou, o que conseguimos tirar do papel, o que faltou um pouco mais de energia para concretizarmos e aquilo que ficou somente na lista dos desejos feita lá em dezembro de 2012. Eu estava renovando minha lista, comecei a refletir sobre os itens e fiquei feliz em perceber os pequenos, mas, importantíssimos avanços conquistados, pois muitas vezes queremos grandes coisas e esquecemos que paciência, confiança e intuição formam a base para materializarmos nossos sonhos.
E aqueles quereres que não estão na lista? Aquilo que você não se achou capaz, aquela coisa que o medo e a insegurança não permitiram que você ao menos exteriorizasse sua vontade? Pode parecer besteira, mas, somos permeados por mais incertezas do que clarezas.
"...Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Tenho medo de parar e medo de avançar (...)
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo..."
(Miedo - Lenine)
Há algo que paralisa mais do que o medo? Como diz Lenine na música acima em certas circunstâncias o medo deixa de ser uma resposta instintiva natural que visa a proteção de um perigo real e torna-se uma amarra, aprisionando toda a subjetividade. Não há otimismo ou criatividade que consiga ser expressada genuinamente quando estamos acorrentados. Além disso, há duas "manifestações" do medo bem conhecidas no nosso dia a dia: A angustia e a ansiedade.
Segundo Dalgalarrondo (2008), a ansiedade é um estado de desconforto, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável com manifestações somáticas e fisiológicas (taquicardia, sudorese, tontura, tremores). Já a angústia geralmente refere-se a uma vivência relacionada ao passado com grande conotação corporal (sensação de aperto no peito e na garganta por exemplo). Isso demonstra como somos diretamente mobilizados psicologicamente e até fisicamente por fatores internos/externos, situações que surgem diariamente e que cabe apenas a nós transcendermos. Outro dia estava passando na tv o filme Rocky Balboa e em uma cena o filho do Rocky tenta convencê-lo a não lutar, dizendo que o envergonharia e que o pai era o culpado pelo insucesso dele. Depois de assistir este diálogo eu fiquei imaginando o quanto nos afastamos de nós mesmos por medo e muitas vezes criamos desculpas pela falta de realização ou frustração.
Neste novo ano que se iniciará desejo a todos vocês (e me incluo nisto) coragem para os obstáculos reais e superação para as barreiras criadas por nós mesmos.
Zumbi é a maior figura negra da História do Brasil, por ter se tornado símbolo da luta e resistência do afro-brasileiro à escravidão, a data da sua morte hoje remonta a toda trajetória conquistada pelos negros neste pais de dimensões continentais. O preconceito e o racismo ainda andam de mãos dadas em todos os cantos, entretanto o negro de hoje deve se orgulhar de todo suor e sangue derramado por cada conquista até aqui. Pois ser negro não é apenas uma questão da cor da pele, dos traços ou do cabelo, trata-se de um estado que se configura por meio da cultura de um povo, é algo que vem da alma. Toda vez que ouço falar de Zumbi me emociono e lembro de uma música de um LP do Ilê Aiyê que meu avô deu para meu pai. A música diz assim (para ouvir clique aqui):
Separatismo Não!
Zumbi ôh ôh, ôh ôh Encarna no Ilê E luta para esse povo ver Lutar Se elege Zumbi O tradutor de obá áh áh
Ilê áh áh áh áh Ilê áháh áh áh Cresce, o seu poder é muito Envolva essa força Unifique essa coragem Separatismo não O egocêntrico não tece a união Não espalha a nobreza Aparta os corações
Muito poderia escrever sobre esse assunto que me emociona tanto, mas vou apenas terminar com um trecho de um texto do Gilberto Gil falando sobre a música de sua própria autoria chamada "Refazenda", com uma foto muito especial para mim onde fui modelo e minha querida amiga Silvia fotografa entitulou de "Origens"; também há a cena de um ensaio fotográfico que fiz com meu irmão.
Somos os frutos da grande refazenda e nos orgulhamos muito disso.
Atualmente tem sido observado um alto indice de afastamentos médicos ou absenteísmo por adoecimento devido aos conflitos vivenciados no ambiente de trabalho. A maioria desconhece que grande parte das situações prejudiciais a qualidade de vida no ambiente laboral são derivadas do Assédio Moral. De acordo com Márcia Novaes Guedes, juíza de ações trabalhistas e autora do livro Terror Psicológico no Trabalho: o termo "Mobbing, assédio moral ou terror psicológico no trabalho são sinônimos destinados a definir a violência pessoal, moral e psicológica, vertical, horizontal ou ascendente no ambiente de trabalho. O termo mobbing foi empregado pela primeira vez pelo etiologista Heinz Lorenz, ao definir o comportamento de certos animais que, circundando ameaçadoramente outro membro do grupo, provocam sua fuga por medo de um ataque..."
No Assédio Moral o agente busca a degradação das condições pessoais no trabalho, acarretando efeitos negativos a integridade física ou psiquica do funcionário. Este assunto tem ganhado tal relevância que a Organização Mundial de Saúde apresentou em 2002 um quadro contendo as principais diferenças entre conflitos saudáveis e situações de assédio, veja abaixo:
Em pesquisas recentes também foram identificados os principais fatores que colaboram para este triste cenário. São eles: Gerenciamento autoritário, grande carga de trabalho com número insuficiente de colaboradores e muitas linhas de comando. Também é possível observar ataques ao funcionário sob a seguinte forma:
Humilhação ou Rebaixamento;
Instigação de colegas contra a vítima;
Provocação ou Ridicularização;
Abuso verbal;
Indução ao pedido de demissão;
Designição de tarefas sem sentido ou perigosas;
Negação ou omissão a informações essenciais;
Monitoramento excessivo;
Sobrecarga de trabalho com prazos impossíveis.
Este video acima é o trecho da série Familia Dinossauros, onde o Dino (pai de família e arrancador de árvores) tenta pedir aumento ao seu chefe, Sr. Richfield. A cena traz um superior autoritário, com perfil assediador ao extremo. O programa é cômico, mas, já dá pra ter uma ideia de uma situação onde há alguns dos pontos citados a pouco. Este tipo de Assédio pode gerar enúmeros quadros com complicações comportamentais, físiológicas e psicossomáticas conforme pode ser visto abaixo (Organização Mundial de Saúde, 2002):
Quadro "O grito"
Além disso, não podemos nos esquecer que as pessoas que convivem com a vitima também são afetadas, pois geralmente o assédio causa tamanho sofrimento que traz impactos (diretos ou indiretos) na vida social, como por exemplo:
Auto exclusão da vida social;
Queixas frequentes de desconforto físico e psicologico;
Descumprimento das obrigações sociais;
Distanciamento das relações familiares;
Dificuldade para se qualificar para outros trabalhos;
Intolerância frente a problemas familiares;
Problemas matrimoniais;
Crises ansiosas;
Explosão de raiva ou violência.
De acordo com a Organização Assédio Moral no Trabalho a pessoa assediada deve sair de uma condição submissa e desenvolver atitudes em sua defesa:
Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.
Maiores informações e curiosidades sobre Assédio Moral no Ambiente de Trabalho:
É interessante observar como o processo de escrever vem realmente "de dentro" e toma um rumo natural e verdadeiro. A primeira vez que vi o filme"Coraline e o mundo secreto" duas coisas ficaram evidentes para mim: os conflitos Edipicos e a semelhança com o filme "Alice no país das Maravilhas". Ao pesquisar o assunto vi que alguns sites citavam pontos Kleinianos tratando os impasses entre a Coraline e a sua mãe como uma alusão a fase em que o bebê se relaciona com objetos parciais, o seio bom e mau, um objeto ideal e outro persecutório (confesso que embora a teoria de Klein seja muito precisa para alguns temas, não é a que mais me atrai). Outros abordavam o conflito vivenciado pela garota entre o mundo ideal e real para abordar a entrada à vida adulta. Eu li, assisti trechos do filme e ainda enxergava "Edipo". Sentei para escrever e pela primeira vez mal conseguia sair do primeiro parágrafo. Levantei, desabafei ao celular com uma amiga (também psicóloga) sobre os acontecimentos do dia e quando voltei a escrever me dei conta que a dificuldade (bloqueio) vem quando em algum ponto o tema nos toca lá no fundo, mais uma vez dei razão ao Freud.
A animação apresenta pais muito ocupados e uma pré- adolescente entediada e sem amigos após ter se mudado de cidade. Tudo muito normal até que Coraline encontra uma chave que dá acesso ao mundo perfeito, onde os pais são amorosos e atensiosos e tudo acontece do jeitinho que ela quer. Quantos de nós quando adolescentes não imaginávamos como seria diferente as coisas se nossas mães dissessem menos "nãos"? É esse o dilema que o filme traz de modo intenso e com qualidade marcante; a animação em stop-motion é espetacular. O que Coraline e Alice tem em comum? Vidas marcadas por obrigações, regras, expectativas, grandes perdas (Alice o pai, Coraline os amigos) tudo que um adolescente não quer (e mal sabe ) lidar com tais coisas e por isso sai em busca de uma aventura onde possa gozar plenamente de tudo que deseja. A garota fica em extase quando entra em um mundo com pais iguaizinhos aos seus, entretanto, com um grande diferencial: são atentos a suas necessidades. A única diferença é que os "outros pais" não possuem olhos, mas sim botões costurados na face, surgindo dentre aquela realidade tão mágia algo sombrio e mórbido.
Os pais reais são aprisionados e os "outros pais" (bruxos) querem que a garota permaneça para sempre naquele mundo fantasioso. Para isso bastava Coraline deixar a "outra mãe" costurar botões no lugar dos seus olhos. A garota encontra almas de crianças que tiveram os olhos costurados em troca de uma vida "perfeita" e então descobre que somente ela poderá salvar a si e a seus pais. Na animação Coraline desafia a bruxa em troca da vida de seus pais, assim como no Mito Édipo consegue decifrar o enigma da Esfinge e salva a cidade e sua mãe. Outro ponto similar a cena mitológica é a referência da perda dos olhos, pois ao descobrir que havia assasinado o próprio pai Édipo desesperadamente arranca os próprios olhos com as mãos, privando-se da visão pela grande tragédia cometida e por não ter reconhecido a própria mãe. Já no desenho os botões marcam o adeus ao mundo real, a sua essência e aos pais verdadeiros com suas qualidades e falhas.
Na teoria Freudiana há um desejo incestuoso da menina pelo pai na relação tríade (pai-mãe-bebê), hostilizando constantemente a mãe por querer assumir seu lugar, por isso, é comum haver atritos na relação mãe-filha. Na adolescência os conflitos se intensificam com o sentimento de culpa e ameaça da castração (sentimentos presentes na animação). De acordo com o autor a resolução do Complexo é responsável pela inserção da criança na realidade e o rompimento das relações simbióticas por meio do reconhecimento das interdições.
Ficou muito complicado?
Veja o trailer da maravilhosa animação e confira uma linda produção totalmente descomplicada:
A primeira vez que percebi o tamanho da conexão existente entre a Psicologia e a Sustentabilidade foi em uma conversa com uma amiga de faculdade, quando estávamos ainda definindo os temas para o TCC e conversando sobre os pré-projetos no quarto ano da graduação. Nascida em uma cidade do interior de São Paulo, essa amiga fez uma pesquisa que buscava comparar em uma amostra o nível da consciência ambiental dos habitantes de sua cidade e da cidade de S.P., além de observar também a relação de consumo estabelecida pelo participantes. Na época a discussão resultante deste trabalho virou o TCC dela (maravilhoso) e desde nossa conversa minha visão sobre susentabilidade se ampliou.
O Instituto Akatu lançou uma série de videos, chamada Consumo Consciente, muito bacana que traz reflexões sobre o consumo desenfreado, o ritmo de produção, os impactos negativos causados ao planeta, a supremacia do "ter para ser", o apelo publicitário e as consequências que tudo isso traz para os individuos, bem como o impacto causado em diferentes esferas nas relações cotidianas. Meu episódio preferido é o 08 (ao lado) que faz comparações entre um jovem jacaré e um jovem humano, ele sintetiza tudo que penso sobre este assunto de um modo divertido.
Outro video que traz reflexões sobre estes pontos chama-se "A história das coisas" (abaixo), muito mais crítico e politico contextualiza o consumo excessivo gerado por uma economia que valoriza o acúmulo de riquezas, supérfluos e todo ciclo voraz e desumano gerado pelo consumismo. Neste são apresentados resultados de anos de pesquisas sobre esta temática pela criadora do vídeo Annie Leonard. Veja o trecho da entrevista realizada com a autora pelo jornalista especializado em sustentabilidade Efraim Neto que escreve artigos para a plataforma Mercado Ético.
EN – Em seu livro, você traz diversos questionamentos a respeito do estilo de vida humano. Qual a principal mensagem que você pretende transmitir com a História das Coisas? AL – Minha mensagem principal é que podemos produzir coisas melhores e com menos. A mudança é possível. O nosso meio ambiente e corpos estão repletos de produtos químicos tóxicos. A nossa economia, por meio do consumo excessivo, gera quantidades enormes de resíduos e trata as pessoas pobres como descartáveis. Não precisa ser dessa maneira. Pode ser diferente. Com melhores tecnologias, políticas e mudanças na cultura, podemos ter uma sociedade que seja saudável, sustentável e justa.
EN – Qual o nosso maior desafio? Mudar a economia ou mudar as nossas atitudes?
AL – Precisamos fazer as duas coisas. A crise ecológica e social que enfrentamos é tão grande e tão interligada que todos nós estamos envolvidos. Precisamos mudar nossas políticas econômicas e industriais de modo a promover ambientes saudáveis, sustentáveis e meios justos de produção, assim como nos libertamos dessa obsessão pelo consumo. Basicamente, precisamos apertar o “reset” em nossa sociedade. Precisamos de diferentes tipos de edificações e de um novo planejamento urbano que incentive o transporte público e a congregação entre as comunidades. Precisamos redesenhar produtos para que eles possam estar livres de produtos químicos tóxicos e terem maior durabilidade. Precisamos de um sistema de gestão dos resíduos que incida sobre a reutilização e não apenas na queima ou soterramento das “coisas”. Com a mudança nas sociedades, os líderes e os empresários serão obrigados a pôr a sustentabilidade em prática. As leis precisam mudar junto com as atitudes. Está tudo interligado.